O novo reajuste no gás de cozinha já começou a chegar às distribuidoras, com aumento médio de R$ 7,11.
Impulsionado também pela alta no diesel, o repasse ao consumidor final deve deixar o botijão entre R$ 8 e R$ 9 mais caro para o consumidor final, segundo o Sindicato dos Revendedores Autorizados de Gás Liquefeito de Petróleo (Singás/RN).
A estimativa é que o impacto para a população passe a ser sentido a partir desta quinta-feira (9). Quanto ao preço final do produto, o sindicato não quis estimar um valor aproximado, afirmando que o preço do gás pode variar muito conforme a distribuidora.
Reajuste do gás pressiona orçamento das famílias
Para os consumidores, o aumento no preço do gás de cozinha agrava ainda mais o aperto no orçamento doméstico. A dona de casa Francisca Auzenira relata que precisa comprar um botijão todos os meses, o que torna o impacto ainda maior. “Eu compro gás todo mês, às vezes dura só 15 dias. Aí, quanto é que não vai pesar no meu bolso? Tudo aumenta, menos o salário mínimo?”, questionou.
A auxiliar de serviços gerais (ASG) Araceli dos Anjos afirma que o preço já é elevado em relação à renda da população e que qualquer reajuste dificulta ainda mais a rotina. “Com certeza vai pesar. Na realidade, já está um preço bem alto para o que a gente ganha, e aumentando mais ainda vai dificultar a vida de muita gente”, disse.
A professora Maria de Fátima Souza também se preocupa com o impacto do aumento do gás no orçamento da casa. “A gente tenta economizar em tudo, mas o gás não tem como deixar de comprar. Quando aumenta, a gente precisa tirar de outra coisa, às vezes até da alimentação”, afirmou.
Alta pode pressionar inflação
O economista Helder Cavalcanti destaca que o aumento no preço do gás liquefeito de petróleo, o famoso gás de cozinha (GLP), tem impacto direto e indireto na inflação. Segundo ele, o GLP integra o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o que faz com que qualquer reajuste eleve automaticamente o indicador. “O GLP entra diretamente no índice de inflação (IPCA). Ou seja, o aumento do preço eleva automaticamente este índice”, explica o economista.
Além disso, o reajuste provoca um efeito em cadeia em diversos setores, principalmente no segmento de alimentação. Restaurantes, lanchonetes, vendedores informais e pequenos produtores domésticos, como quem trabalha com bolos e salgados, dependem diretamente do gás e tendem a repassar os custos.
Ele explica que as famílias podem migrar o consumo, passando a cortar alimentos, lazer ou até itens básicos para compensar o aumento. “O gás de cozinha é um item essencial e de baixa elasticidade, ou seja, mesmo com aumento de preço, as famílias não conseguem reduzir muito o consumo”, afirma o economista.
Na prática, ele aponta que o aumento gera pressão sobre o orçamento das famílias, sobretudo as de baixa renda, que passam a cortar outros gastos para conseguir manter o consumo.
“Risco social gerado a partir do crescimento do uso de alternativas perigosas (lenha, carvão). No RN, esse impacto é ainda mais forte devido à menor renda média e maior informalidade, o que reduz a capacidade de absorver choques de preços”, ressalta.
Tribuna do Norte
